A vida, meu amor, é uma gangorra...

Por vezes nós estamos lá encima,

Livres da dor, do escuro da masmorra,

De tudo que nos fira ou nos deprima...

Por vezes nós estamos lá embaixo...

Sem ver o sol vibrante, a luz do dia,

É lá ficamos mudos, cabisbaixos...

Escravos d’um amor, sem galhardia!

A vida é mesmo assim, tão inconstante!

E extirpa qual navalha, num instante

Os nossos sonhos sempre tão dourados!

Não importa se a navalha é cortante,

Que extirpe em nós os nossos sonhos, fados...

Que seja a vida sempre assim pulsante!