| Fotografia da minha autoria |
«Quem matou Nola Kellergan?»
Avisos de Conteúdo: Preconceito, Homicídio, Violência,
Assédio, Abuso Sexual, Tentativa de Suicídio
A tragédia é sempre delicada e complicada de gerir, sobretudo, quando o desfecho fica em aberto; sobretudo, quando temos de superar uma perda atroz, mas sem sermos capazes de unir os laços que permanecem soltos, perpetuando as feridas e atribuindo poder às hipóteses mais surreais, que se sucedem no nosso coração, por força das circunstâncias. E foi com este pensamento que me aventurei no livro de Joël Dicker
«Não se enerve, todos os bons escritores
passam por este género de momentos difíceis»
A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert tem uma premissa entusiasmante, porém, não correspondeu às minhas expectativas. A escrita do autor é ótima, mas tive dificuldade em encaixar o enredo na categoria dos thrillers. Além disso, só o senti verdadeiramente viciante na fase final [talvez, nas últimas cem páginas], onde as reviravoltas foram surpreendentes. A parte da investigação intriga, mas existem camadas que, para mim, foram desnecessárias, atrasando a ação, porque se perdeu por rotas secundárias. Inclusive, acredito que deveria ter sido atribuído outro propósito e destaque a Nola Kellergan - afinal, é a peça central deste mistério.
«Ao chegar à porta da entrada principal, vi a mensagem
que uma mão anónima ali deixara na minha ausência»
Perdoem-me se revelarei em demasia, mas sinto que o melhor desta história não é o caso policial em si. É, antes, a interação entre Harry e Marcus [«amigo e discípulo de Quebert»], visto que, por serem ambos escritores, nos proporcionam um contacto interessante com a escrita, os bloqueios literários, a estruturação de ideias, a síndrome da folha em branco e a efemeridade da glória. Em simultâneo, faz-nos refletir sobre o medo de não corresponder à imagem que os outros criaram sobre nós. Se fosse este o real foco da narrativa, tenho a certeza que a minha perceção e envolvência seria distinta - e certamente que me deslumbraria como esperava.
«Escrever um livro é como amar alguém:
pode tornar-se muito doloroso»
Outro aspeto que considerei relevante foi a numeração dos capítulos, como se estivéssemos numa contagem regressiva. E é inegável que explora assuntos importantes, como as perturbações mentais, o assédio, os erros do passado [que influenciam o presente], os preconceitos e a linha ténue entre o amor e a obsessão, até porque permanece a dúvida sobre a pureza de uma relação amorosa, que nunca é desvendada na totalidade, mas que cresce nas entrelinhas. Num plano secundário, deambulamos por relações familiares disfuncionais.
«Tudo o que sei é que a vida é uma sucessão
de opções que depois temos de saber assumir»
A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert lê-se bem, mas quis dividir-se por tantos temas que se perdeu e enfraqueceu o impacto da história. Para além de todas as reviravoltas, achei algumas partes repetitivas e monótonas. E, sendo honesta, não considero justas as comparações com Stieg Larsson. Ainda assim, valeu a pena pelo entretenimento e humor. Não é, de todo, um livro a evitar. Simplesmente, não resultou comigo.
«A verdade não muda nada daquilo que podemos sentir
por alguém. É o grande drama dos sentimentos»
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