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Jul11

Maria do Rosário Pedreira

Nunca usei este blogue como montra do que escrevo, o objectivo é falar de leituras, e não de escritas; mas uma das leitoras que o segue disse-me há pouco tempo que os meus livros de poemas já não se encontram à venda (a editora que os publicava entrou em insolvência) e pediu-me que, mesmo excepcionalmente, partilhasse qualquer coisa neste espaço. Então, excepcionalmente, para a Irene Pereira e para todos os que gostam ou não gostam da minha poesia, desenterro, no ano do décimo aniversário da morte de Manuel Hermínio Monteiro, editor da Assírio e Alvim, um pequeno poema que escrevi para ele na altura. Saudades, sempre.

Deixei de ouvir-te. E sei que sou

mais triste com o teu silêncio.

Preferia pensar que só adormeceste; mas,

se encostar ao teu pulso o meu ouvido,

não escutarei senão a minha dor.

Deus precisou de ti, bem sei. E

eu não vejo como censurá-lo

ou perdoar-lhe.