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| Fotografia da minha autoria |
«poemas são transumâncias de deuses»
Avisos de Conteúdo: Morte, Sexo, Linguagem Explícita
A travessia emocional que fazemos de dentro para fora assemelha-se à intimidade de um verso: porque é mais explícita nas entrelinhas e fundamenta-se numa linguagem própria, talvez complexa, apenas desconstruída por quem faz das palavras um espelho - sobretudo, porque parece ler-nos a alma. Um pouco à semelhança da escrita de Valter Hugo Mãe, que me deixa sempre fascinada. Por isso, aventurei-me na sua obra poética.
«amar é servir para outro mundo»
Publicação da Mortalidade compila uma viagem pelo mundo lírico, no qual eliminou poemas antigos, reformulou os que ficaram e acrescentou, ainda, uma série de inéditos. Portanto, nesta pluralidade de caminhos, somos surpreendidos pelas imagens criadas, pela vulnerabilidade e por um certo tom melancólico, que nos mostra o quando a vida é antagónica. Confesso, no entanto, que não me desarmou, nem arrebatou tanto quanto a sua prosa, isto porque, nesta cadência, senti-o cru, distante, ao ponto de quase existir uma barreira a impedir-me de compreender a essência de cada mensagem. Por oposição, é inegável a capacidade que o autor tem para nos transportar para os cenários descritos - mesmo que sobrevivamos na superfície.
«curado da tristeza compreendo agora
tudo me sabe bem»
Este exemplar consegue despertar medos e inseguranças, e incentivar a viver numa mudança constante, tal como o sujeito poético. Porque coloca uma bandeira na importância de aproveitarmos a nossa jornada, entregando-nos de corpo e alma aos demais, mantendo presente que esse compromisso não está, apesar de tudo, isento de danos colaterais. Contudo, embalados pelo seu traço sombrio, há uma luz que só descobrimos, se não nos sabotarmos. Se compreendermos que essa é a linha que separa a nossa história do vazio.
«pedi que viesses esperei que viesses
mas a alegria que inventei era só um
modo de ir embora»
Publicação da Mortalidade divide-se em temas como a religião, a solidão, a violência e a fragilidade. Privilegiando uma determinada musicalidade em cada verso, oscila entre a leveza e a tragédia, entre a culpa e a expiação, entre a fé e a descrença. E mesmo que seja um reflexo da dureza do mundo, deixa bem claro que o amor é o nosso melhor mecanismo de defesa e salvação. Porque nos torna mais puros. E mais humanos.
«já não te aguardo
adio-me»
// Disponibilidade //
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