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Jul23

Maria do Rosário Pedreira

Mea culpa, nunca tinha lido o grande escritor checo Bohumil Hrabal, que por cá está publicado pela Antígona. Já tinha ouvido grandes elogios a Uma Solidão demasiado Ruidosa (que lerei em Agosto, já o tenho), mas comecei por uma pérola verdadeiramente imperdível (porque a encontrei primeiro): Comboios Rigorosamente Vigiados. A acção decorre numa estação de comboios da Checoslováquia ocupada pelos nazis, já no final da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados alemães começam a voltar da Frente estropiados, mortos e gravemente feridos. Nesta estação há um rapaz muito especial: um jovem aprendiz que quer ser um excelente profissional (mas muito traumatizado pela sua primeira experiência sexual), que é uma criatura (no sentido de personagem criada pelo autor) admirável e, além de narrador, terá uma importância tremenda no desfecho; mas não lhe ficam atrás o chefe da estação obcecado com o seu pombal, o colega mais velho que morre de amores pela telegrafista a quem carimba o traseiro, ou mesmo o avô do narrador, que se pôs à frente de um tanque alemão durante os primeiros dias da invasão alemã. Belo, hilariante às vezes, sempre profundo, tão amoroso quando deve ser um livro bom, esta é uma pequena jóia escrita em 1965 que só dá vontade de ir ler tudo deste autor.