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Mai20

Maria do Rosário Pedreira

Dickens começou a escrever os seus romances em fascículos publicados nos jornais como forma de receber um pagamento regular (a sua infância a trabalhar em fábricas fora miserável e inspirou muitas das suas ficções). Camilo também o fez, e também por precisar de dinheiro. E os fascículos de  vários géneros (ficção, história, biografia, enciclopédia...) circularam ao longo de todo o século XX, por vezes em cadernos independentes e agrafados (no final, recebia-se a capa e mandava-se encadernar), por vezes impressos nas páginas ou suplementos literários dos jornais e revistas que se podiam coleccionar. No actual estado de coisas, em que as páginas de Cultura dos periódicos têm infelizmente pouco de que falar (passa-se quase nada em termos de lançamentos, espectáculos e eventos), o Diário de Notícias lembrou-se de resgatar o fascículo e está desde segunda-feira a publicar um romance em doze episódios do repórter e crítico João Céu e Silva. Chama-se O Regresso de Fernando Pessoa e tem como protagonista o heterónimo Vicente Guedes, que foi preterido como autor do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares. Espreite aqui o primeiro capítulo:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-mai-2020/a-segunda-vida-de-fernando-pessoa-12148048.html?utm_term=Tancos.+Tudo+o+que+Carlos+Alexandre+ja+sabe+para+o+julgamento&utm_campaign=Editorial&utm_source=e-goi&utm_medium=email

Hoje recomendo um livro de Dickens, porque não? Tempos Difíceis: condizem com os nossos pelo menos em título.