REFLEX.png

Uma das razões pelas quais eu gosto de intercalar entre livros de ficção e não ficção tem que ver com a muito menor propensão para a comparação entre livros.

Passo a explicar. Se intercalar entre ficção e não ficção o meu cérebro não sente tanto a necessidade de fazer comparação entre a qualidade do livro que li anteriormente e o que estou a ler.

Recentemente tive este problema porque terminei o livro “Luanda, Lisboa, Paraíso” e logo de seguida comecei o livro “Pessoas Normais”. O meu sentimento é que não apreciei devidamente o segundo livro porque o primeiro é de facto muito bom. É como se o cérebro estive numa escalada e de repente não sabe se o que vem a seguir é um ainda um plano inclinado ou se afinal está a descer. É como se não conseguisse apreciar devidamente o livro novo porque estou permanentemente no subconsciente a compará-lo com o anterior em vez se o apreciar por si só, mesmo que o tema seja (como é o caso) completamente diferente.

Ler intervaladamente entre géneros serve-me para limpar o cérebro e permite-me degustar melhor cada livro. Não quer dizer que o faça sempre, mas tenho para mim, cada vez mais, que é uma boa estratégia.