18
Mai16
Maria do Rosário Pedreira
As pessoas têm hoje, regra geral, uma maior longevidade do que quando nasci (uma das minhas avós morreu, por exemplo, antes dos 70 anos, o que neste século seria cedíssimo). Verifico regularmente nos jornais as mortes de pessoas conhecidas perto ou depois dos 90 anos. É bom quando os mais velhos conservam a saúde e a lucidez, mas, claro, isso nem sempre acontece, e muitos dos velhinhos voltam a ser uma espécie de crianças de quem é preciso tomar conta. Mas o pior de tudo é quando – lúcidos ou não – ficam adormecidos, sem acção, sem ninguém que os espevite. A Marina Palácio, de quem já aqui falei a propósito de oficinas para crianças – de tudo e mais alguma coisa, ela é verdadeiramente versátil – foi, porém, desafiada por uma biblioteca em Vila Velha de Ródão aonde ia fazer uma sessão para crianças de manhã a adaptá-la à tarde para os idosos. Ao que parece, o tema era «o lobo», mas deu para tudo: conversa, histórias, filmes, leituras de poesia e até desenhos. Apesar das limitações de muitos, Marina ficou encantada pelo prazer que tiveram a pintar e isso fê-la pensar muito nas pessoas desta idade (até aposto que se vai lembrar de muitas oficinas para eles também). Deixo-vos umas fotografias e peço-vos que dêem sempre atenção aos vossos mais velhos. Obrigada, Marina, pela partilha da experiência.

