02
Dez10
Maria do Rosário Pedreira
Como trabalho há mais de vinte anos com livros, as pessoas retraem-se um pouco de mos oferecer. É sempre, por isso, uma grande alegria quando aterra um presente em forma de livro na minha secretária. Um dia destes, estava eu a trabalhar, vieram entregar-me um envelope que alguém que passara a correr – provavelmente sem lugar para estacionar – deixara para mim na recepção da LeYa. Descobri dentro dele um livro chamado A Grande Muralha e o Legado de Tiananmen, assinado por Raquel Vaz-Pinto e publicado pela Tinta-da-China. Fiquei contente que a autora – que conheço desde os meus tempos da Temas e Debates, ainda ela estava a terminar o mestrado (hoje é investigadora na Universidade Católica) – tenha sistematizado e sintetizado neste volume os seus vastos conhecimentos sobre a China, ela que é uma especialista em Direitos Humanos e fez uma tese sobre a pena de morte na China. Porque este gigante está já a assombrar a Europa e os Estados Unidos com o seu desenvolvimento acelerado, mas ainda se mantém «uma ditadura de pedra e cal», para citar Raquel Vaz-Pinto, este é um livro fundamental para percebermos melhor os caminhos que o país do tamanho de um continente ainda trilhará neste século XXI.