17
Jul23
Maria do Rosário Pedreira
Hoje, quando falo de censura aqui no blogue, refiro-me sobretudo a uma nova censura (e autocensura) que nos vem impondo há uns aninhos o politicamente correcto. Cada vez mais sinto que, de repente, todos passámos a medir as palavras sob o risco de ofendermos alguém, mesmo quando não temos nada contra a pessoa; e eu até já recebi uma reprimenda oficial por ter dito de uma pessoa não binária que era «uma senhora escritora», elogio que, como se percebe, foi completamente treslido por esta nova inteligentsia. Mas parece que a censura como antes a conhecíamos, a do tempo da ditadura, está também de volta, pelo menos no país vizinho, onde a Extrema Direita avança a passos largos e já está a impor a sua vontade. Artistas como Joan Manuel Serrat ou Pedro Almodóvar, bem como instituições de peso como a Sociedade Geral de Autores e Editores (SGAE), a União dos Músicos, a União dos Atores e Atrizes, e a Rede Espanhola de Teatros assinaram um manifesto em que exigem que a liberdade de expressão seja mantida, pois todos os dias estão a ser reportados casos de censura aos artistas. Foi, aliás, criada a Organização para a Liberdade Artística (OLA), que integra profissionais da cultura de todos os segmentos, para intervir, uma vez que têm vindo a ser «cancelados» filmes e peças de teatro (uma baseada em Orlando, de Virginia Woolf) em municípios onde o Vox impera, no que foi considerado simples «veto ideológico». Vamos ver até quando estamos livres disto.