"Os filhos do vento" de Francisco Moita Flores, investigador e antigo inspetor da polícia judiciária, é ele também escritor, com várias obras publicadas. Li este livro em inícios de 2009.

A história, que em 1997 passou a telenovela na RTP 1, passa-se na zona rural de Alcaides, onde se dá o conflito entre o "novo" e o "velho", o "sagrado" e o "profano", o "rural" e o "urbano". A narrativa passa-se entre 1966, em que o país lutava na Guerra Colonial, e 1996. A história opõe duas famílias ricas ribatejanas, os Vieira e os Abrantes, num conflito em torno da propriedade das Sesmarias, deixando um rasto de infelicidade e medo.

Eu sou suspeita porque os meus livros preferidos são os romances históricos e, mesmo que ficcionados, permitem-me entender como viviam as famílias portuguesas nesta época, retratando também assim algumas das histórias que tenho vindo a ouvir, algumas contadas por pessoas desconhecidas e outras até dentro da minha própria família.

E não posso deixar de referir o trabalho de Francisco Moita Flores, nascido em Moura. Moita Flores começou por leccionar Biologia, mas foi na Polícia Judiciária, que se destacou. "Até 1990, pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios. Várias vezes louvado, deixou aquela instituição para se dedicar à vida académica — viria a terminar uma licenciatura em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra." Regressaria em 1992, "com a incumbência de proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal. É na qualidade de assessor da direção da Polícia Judiciária que participa no programa da SIC Casos de Polícia, que marca uma viragem nas relações entre polícia e comunicação social." Veio ainda a desenvolver "estudos sobre a violência e morte violenta, dirigiu a equipa que identificou e trasladou os mortos do cemitério da Aldeia da Luz, numa destacada operação científica." E além de tudo isto, é escritor.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Moita_Flores