Muita gente acha que o ato de escrever é, essencialmente, um ato solitário. A imagem de um escritor no seu trabalho me remetiam diretamente a coisas como uma cabana na floresta, sem nenhum acesso à internet ou ao telefone, para evitar distrações. Ou um escritório abarrotado de livros, com uma pesada escrivaninha cheia de papéis, uma caneca gigantesca meio cheia de café frio, e uma pessoa levemente estranha, atrás de óculos de armação de tartaruga escrevendo atabalhoadamente em um caderno ou mesmo uma máquina de escrever.
E então eu decidi que gostaria dessa ideia de escrever coisas com mais de uma página. Eu não tenho problemas em ficar sozinha, em silêncio comigo mesma, eu pensei. Mas esse negócio de escritório e escrivaninha, ou máquina de escrever, não eram comigo. Acabei descobrindo que escrever no papel não funciona realmente para mim. E que o silêncio não me ajudava tanto assim na hora de tirar as ideias da cabeça para por no papel. Comecei a visitar cafés, para ouvir o burburinho e, em casa, sentava ao lado do meu marido na cama e ouvia a sua conversa e a televisão.
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Foi num café sem o hoje onipresente wi-fi que me dei conta que estar online também era importante para meu processo de escrita. Onde mais, hoje em dia, eu encontraria na hora e em segundos resposta para perguntinhas sacanas como: ” Que dia mesmo foi o casamento da Rainha Victoria?”, ou “Quando foi cunhado o termo ‘surreal’?”. E era sempre quando eu estava com a internet ruim, ou num lugar sem wi-fi que essas perguntinhas quase insignificantes surgiam. E quando a internet me falhava, eu ia para os livros, ou um bate=papo com meus amigos.
Escrever, eu descobri, é um ato social. É preciso observar, conversar, interagir. Seja pedindo dicas de leitura, ou oferecendo um nó narrativo numa jogada de RPG. Muitas das cenas de Construindo Victoria nasceram de conversas entre amigos, de filmes que vi, indicados por eles, livros lidos. Sim, há vários momentos em que socializamos só com os livros. Mas a melhor parte de ler um livro é contar para alguém sobre o que leu, dizer que aquela leitura inspirou você a fazer alguma coisa, nem que seja criar sua própria história.
Eis uma singela lista de sugestões, para aqueles que Construíram Victoria comigo:
Livros:
Crime and Horror in Victorian Literature and Culture – Matthew Kaiser (Org.)
As Suspeitas do Sr. Whicher – Kate Summerscale
Em casa – Bill Bryson
Breve História de quase tudo – Bill Bryson
A Tale of Two Cities – Charles Dickens
Contos Fantásticos do Século XIX – Ítalo Calvino (org.)
What Jane Austen Ate and Charles Dickens Knew – Daniel Poole
Sketches by Boz – Charles Dickens
Life as a Victorian Lady – Pamela Horn
Life in a Victorian Household – Pamela Horn
Victorian London Ebooks (vários) – disponíveis na Amazon
Drácula – Bram Stoker
Frankenstein – Mary Shelley
O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson
O Diabo na Água Benta – Robert Darnton
O grande massacre de gatos – Robert Darnton
Orgulho e Preconceito – Jane Austen
Um Estudo em Vermelho – Sir Arthur Conan Doyle
O fim da Eternidade – Isaac Asimov
Filmes e Séries
Being Human UK – BBC
Call the Midwife – BBC
Whitechapel – BBC
Sherlock – BBC
Horrible Histories – BBC
Gigantes da Indústria – History Channel
A jovem rainha Vitória
Sua Majestade, Mrs. Brown
Sherlock Holmes
Minha amada imortal
Amadeus
A lista é interminável. Há, é claro, outra lista, gigantesca, de links que me foram muito úteis em minha pesquisa. A maioria deles aparece em artigos diversos neste blog (https://construindovictoria.wordpress.com), ou na página do Facebook (https://www.facebook.com/construindovictoria), mas os três sites que mais acessei foram:
E aqui estão… Várias portas de entrada para a Londres Vitoriana. Vários motivos para socializar.