Na hora do horror, sempre o mesmo pavor 

Na aflição da pena, de cuja dor teima

Fazer seu poema na sina que reina,

Palavras no peito, machucam de um jeito

Que fico arrasado, e o silêncio de um lado...

Ninguém me diz nada e minha alma prostrada

Querendo um amigo, a mim, só, me digo:

De noite o acoite, chicote e foice,

De diabo, o diabo, em mim já não caibo.

De tanto vazio, secou-se meu rio,

O verbo de um velho num tempo amarelo,

Na onda do vinho, surfando sozinho;

Não sei se covarde; se fui, já é tarde,

Só resta os espinhos dos duros caminhos.

 José Edward Guedes

                                 

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Nota do Editor:

Receber este soneto com rimas internas é uma honra para o Poesia Retrô pois é mais uma forma de mostrar o que tenho constantemente falado: estudo de possibilidades.

Rommel Werneck