17
Jan13
Maria do Rosário Pedreira
Um poeta meu conhecido, que organizava sessões em escolas secundárias com o intuito de interessar os jovens pela poesia, queixava-se há tempos de que a miudagem gosta cada vez menos do género. Calculo que as obras selecionadas (e, sobretudo, as não selecionadas) pelos programas de ensino tenham alguma coisa a ver com isso, mas é possível que, nestes tempos modernos, a forma de fazer chegar o texto aos alunos tenha de fazer uso de diferentes estratégias. Lembro-me dos filhos de uma amiga que estudaram no Liceu Francês e que, aos treze anos, já tinham «papado» Racine, Corneille e Molière sem dor; o professor distribuía os papéis aos alunos durante a aula – e a leitura transformava-se em representação teatral, substituindo-se os actores a cada nova lição. Os jovens divertiam-se e, sem esforço, liam os maiores dramaturgos franceses. Agora, no Reino Unido, o governo decidiu criar um concurso nacional de declamação de poesia, chamado Poetry by Heart, para alunos com mais de 10 anos. O «campeonato» pretende interessar os estudantes pelo texto poético, transformando a leitura e memorização de poesia numa espécie de desafio. Cada poema – de um total de 130 escritos maioritariamente a partir do fim da Primeira Guerra Mundial – vem acompanhado de uma biografia do respectivo autor e há um site de Internet que inclui uma longa lista de textos possíveis. Os alunos que conseguirem passar as eliminatórias regionais irão então a Londres, onde a final terá lugar, ganhando desde logo um fim-de-semana integralmente pago. Original, não?