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Jul23
Maria do Rosário Pedreira
Tinha lido tudo de Leïla Slimani, excepto No Jardim do Ogre, em que peguei nas férias que tive há duas semanas. É a estreia de uma grande autora de ficção e já um livro extremamente maduro, a que alguém chamou, de resto, a «Madame Bovary do século XXI» e que prenunciava já o sucesso de vendas e crítica da autora, que venceu com o livro seguinte (Canção Doce) o Prémio Goncourt. Este No Jardim do Ogre conta-nos a história de uma jovem mulher, Adèle, que tem tudo para ser feliz: um marido que a adora, um filho, uma boa casa, um emprego, a possibilidade de ir viver para um lugar tranquilo e longe do stress de Paris; mas infelizmente nada a satisfaz e o seu desejo sexual é tão premente que por vezes nem ela consegue explicar a si mesma os riscos que corre sendo uma mulher informada e por que razão os corre, se afinal logo a seguir vive no pânico de engravidar de um estranho, de ser apanhada, de que alguém a siga e descubra tudo. É assim desde criança, segundo a mãe, que não é flor que se cheire e, como saberemos, terá alguma responsabilidade neste comportamento impulsivo de Adèle. As descrições podem ser sórdidas, aviso, mas apesar da obsessão com o sexo, este não deixa de ser também um livro sobre o perdão e amor. Vale a pena ler.