O poeta colombiano Mario Rivero faleceu hoje. Era considerado o precursor da poesia urbana no seu país. Muito apreciado por nós, Casa dos Poetas, publicamos hoje um poema seu com tradução de Tiago Nené.
Um habitante
Este homem não tem nada que fazer
sabe dizer poucas palavras
leva nos seus olhos colinas e sestas na relva
Vai em direcção a algum lugar com um pacote debaixo do braço
em busca de alguém que lhe diga "entre"
depois de ter engolido o pó
e o estridente apito dos comboios
depois de ter visto a lista de empregos nos jornais
Não deseja mais do que descansar um por um os seus poros
Há tanta solidão a bordo de um homem
quando apalpa os seus bolsos ou conta os frangos assados nas vitrinas
ou na rua os cavalinhos que fazem a chuva feliz
E dentro da tibieza as bocas sorriem à meia-noite
algumas se beijam e entesouram desejos
outras mastigam chicletes e brincam com as chaves
Crescem os bosques de ídolos
e o caçador se faz cobrar pela sua melhor peça
Poema traduzido por Tiago Nené

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