Para acompanhar o #marçofeminino, a Sandra criou esta tag cheia de humor. Gostaria de responder a esta tag só com livros escritos por mulheres, mas essa seria uma missão muitíssimo complicada. Fica para breve um post com recomendações de livros escritos por mulheres. Sim, não? 1. Aqueles dias do mês - Um livro que os homens nunca vão perceber. The Handmaid's Tale, de Margaret Atwood. Eu li este livro há vários anos, e não vi ainda a série (oops) - e acredito que homens possam apreciar o livro, mas nunca irão compreender a 100% o terror que pode estar associado à perda de direitos reprodutivos, direitos sobre o próprio corpo, à ideia de pertença subjacente em todo o livro. 2. Filha da mãe da depilação - Um livro que te arrepia só de pensar. It Can't Happen Here, de Sinclair Lewis. Porque este livro é uma sátira política, e não uma distopia, e mesmo essa classificação faz com que pareça que pode, sim, acontecer aqui, ou em qualquer outro lugar do mundo. 3. Aquele batom vermelho que dá um up a qualquer look - Um livro que te pôs bem-disposta/o num dia cinzento. A Little Princess, de Frances Hodgson Burnett. Não diria que me meteu bem-disposta num dia cinzento, porque não me lembro se o li nalgum dia mau, mas é leve e animado e feliz e parece-me o livro ideal para esse tipo de dia/situação. 4. Cérebro Feminino - Um livro que parecia confuso, mas acabou por fazer muito sentido. The Sound and the Fury, de William Faulkner. O primeiro capítulo é narrado por um homem com um défice mental. O segundo passa-se talvez 20 anos antes do primeiro e é narrado por uma outra personagem, que está extremamente perturbada. Ao terceiro capítulo a coisas começam a ligar, mas o livro só tem quatro capítulos. É dos meus livros preferidos de sempre. 5. "Mulheres não percebem de futebol, nem gostam de cerveja" - Um livro que vomita clichés. Diz-lhe que Não, de Helena Magalhães. Os homens são todos maus, andam todos no Tinder à procura de one night stands, as mulheres são umas coitadinhas que merecem mais e melhor (sempre vítimas, nunca culpadas da relação que não dá certo). Excepto quando são "vadias de mini-saia", suponho. 6. Mini-saia - Um livro curto, mas bom. Há muitos livros curtos que adoro, mas vou nomear Mar me Quer, de Mia Couto. Adoro Mia Couto, e este livro é uma espécie de conto, maravilhosamente ilustrado, que se lê em menos de 1h e que vale cada segundo. 7. Bolsa de Mulher - Um livro com muita coisa dentro, que te provocou várias emoções. Gone with the Wind, de Margaret Mitchell, é uma epopeia de emoções, eventos e contradições. Não basta ver o filme; leiam o livro. Torço pela Scarlet embora reconheça que ela é péssima pessoa. 8. Mrs. Always Right - Como as mulheres têm sempre razão, escolhe um livro que aconselhas a toda a gente. O livro que eu recomendo a absolutamente toda a gente é o Man's Search for Meaning, do Viktor Frankl. Em parte, relata a experiência pessoal do autor, de sobrevivência em campos de concentração; como o autor conseguiu encontrar significado no sofrimento e, por último, como esta experiência contribuiu para o seu trabalho enquanto psiquiatra. 9. Mas porque é que tenho que gostar de cor-de-rosa? - Um livro que toda a gente gosta, menos tu! 10. Sutiã nosso de cada dia - Um livro que te incomodou ou um livro que foi um alívio chegar ao fim. Tanta Gente, Mariana, de Maria Judite de Carvalho. Não me incomodou por não gostar, não foi um alívio por estar a achar insuportável - eu adoro o livro. O problema é o facto de consistir em retratos de solidão, o que é mais relacionável do que gostaria. 11. Ir à manicure - Toda uma curiosidade sobre um livro que anda na boca do povo, mas ainda não leste. Não diria que anda na boca do povo (não costumo ler desses), mas o Goodreads diz-me que, dos livros que tenho em to-read, o mais vezes avaliado é o Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden. Alguém já leu? 12. Fitas e lacinhos - O livro mais girly que já leste. Este é um bocado batota - As Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, que li cerca de sete vezes quando tinha 10 anos e quero reler agora, em inglês. 13. Girl Power - Uma autora que é uma mulher do caraças. Explica porquê. Sylvia Plath. Podia escrever um livro inteiro sobre o porquê de adorar a Sylvia Plath. A Sylvia sabia o que era ser mulher e querer ser mais - ser mãe, profissional, poetisa, viver da arte. Sabia o que era ter todas as ambições do mundo e sentir-se limitada. Sylvia Plath é tudo. I can never read all the books I want; I can never be all the people I want and live all the lives I want. I can never train myself in all the skills I want. And why do I want? I want to live and feel all the shades, tones and variations of mental and physical experience possible in my life. And I am horribly limited. 14. Mulheres nos livros - Indica três livros com personagens femininas fortes. Lysistrata, de Aristophanes. Várias mulheres juntam-se e decidem uma forma de terminar com a guerra. Tieta, de Jorge Amado. Jorge Amado escrevia mulheres fortes, sem dúvida - mas Tieta é a mais forte de todas: escorraçada pelo pai, volta anos mais tarde rodeada de glória e sede de vingança. The Master and Margarita, de Mikhail Bulgakov. Margarita torna-se forte pelo amor, e não deixa que o manuscrito do seu Mestre arda. 15. Mulheres nos filmes - Indica três filmes com personagens femininas fortes. O Grease é uma escolha pouco óbvia, porque a Sandy muda pelo Danny, mas depois há a Rizzo: There are worse things I could do Than go with a boy or two Even though the neighbourhood thinks I'm trashy... Legally Blonde, porque a personagem da Reese Witherspoon pode ser loura, vestir-se de cor de rosa e ter um cão de bolso, mas entra em Harvard, estuda direito e surpreende sempre toda a gente que não tem expectativas dela por causa do seu aspecto. E para repescar um clássico da minha juventude, Veronica Mars, em série e mais recentemente em filme. Aos 16 anos, a vida da personagem da Kirsten Bell tem uma reviravolta imensa, e ela tem de aprender a lidar com a adversidade - e a trabalhar como detective. 16. Ir em bando ao WC - Indica quem quiseres para responder. Levem!