Fotografia da minha autoria

«Na incerteza da vida, quando o chão desaparecer, 

prepare as asas»

Sinto a minha vida como uma sucessão de metamorfoses clandestinas. Perceciono-a naquele ponto em que ainda vou a tempo de mudar, mas obrigando-me a isso. Um ligeiro sopro faz-me colapsar. Divido-me em pedaços uniformes: dos restos daquilo que fui. E, portanto, sou passado, declinando o amanhã que se escreve a tinta invisível. Não tenho como dar um passo em frente, se o medo me prende ao ontem que já se encontra distante de mim. Inspiro, mas sem efeito. Retiraram-me o chão. Sinto-me a desaparecer no sufoco do que fui e do que nunca voltarei a ser. Porém, lentamente, abro os meus braços. Encaixo num abraço. E percebo que são meros demónios a quererem invadir-me a alma. Recuso-me a ceder. E voo. Para não mais cair.