Fotografia da minha autoria

«A melodia é a voz da alma»

Há risos que ainda escuto

Como se permanecessem presos

Neste disco de vinil

Riscado e já tão gasto

Ecoando memórias de algibeira

Que transportam a primavera

Suportada em ramos adormecidos

Onde o azul de dias meus

Se esbate num olhar melódico

E tu, talvez, sejas flor

Enquanto eu sou pedaço de chão

E em mim brotarão as tuas pétalas

Os teus cheiros e os teus amores

Que cobrirão as minhas fendas

Pouco a pouco, por inteiro

Deixando-me livre

Para cuidar de ti

Mas o gira-discos

É hoje uma miragem

E o meu peito desacelera

Neste lento nascer da aurora