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Esqueçam esta capa que parece uma fotografia da revista Pais e Filhos que a minha mãe lia quando eu era miúda.

A literatura italiana, além de Elena Ferrante, tem sido uma boa surpresa este ano. Neste livro, temos uma menina que, aos treze anos, descobre que os pais que a criaram não são os seus pais biológicos, mas apenas uns tios afastados. Assim, esta menina criada como filha única, numa bela casa ao pé do mar abandona a vida que conhece para ir viver com a família biológica.

É, assim, atirada para uma família biológica que não reconhece como sua. A partir daqui, vemos a vida de uma família pobre, caótica e pouco acolhedora numa aldeia italiana dos anos 70 pelo olhar desta menina que se comporta como uma outsider.

Vê-se obrigada a partilhar um colchão com a irmã - Adriana - que se torna um porto de abrigo e o quarto com três irmãos mais velhos. Entre os três, vai desenvolver com Vincenzo uma relação muito particular cujo final me partiu um bocadinho o coração.

Enfim, adorei este livro (só tenho mesmo pena que não lhe tenham dado uma capa mais apelativa) e quero muito ler o outro livro da autora já publicado em Portugal «A idade frágil».

Depois, sem querer, li quase o livro oposto. Li «Acolher» de Claire Keegan, um livro onde uma menina vai viver com pais adotivos numa quinta numa zona rural da Irlanda sem saber quando regressará, e se regressará, a casa. Nesta casa desconhecida, encontra uma afeição que desconhecia e começa a florescer. Gostei mas, como todos os livros de Claire Keegan, acabou demasiado depressa.