Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

A vontade de ler esse livro nasceu no momento que soube que ele existia. Já havia assistido ao filme, e, como a maioria que o fez, gostei, por isso a curiosidade para lê-lo, aumentada ainda mais pelo fato de que o autor escreveu vários livros no mesmo estilo, e todos viraram bestsellers. Acho que seria uma curiosidade pela curiosidade mesmo. Aproveitando que Reinaldo deu um exemplar de presente para minha irmã, e que estou aqui de férias, resolvi colocar minha leitura atual de lado (Jonathan Strange & Mrs Norrell – aparecerá por aqui em breve) para pegar este pequeno livro de letras grandes por algumas horas, terminando de ler há alguns dias. Relutei em falar nele, mas decidi escrever isso aqui.

Não, o livro não é horrível. É comum, até demais na verdade. Uma leitura muito simples e fácil, sem atrativos. O escritor economiza em adjetivos, substantivos e até em frases. A primeira metade do livro ele simplesmente vai contando a história, sem descrever nada. Por exemplo, quando Noah encontra Allie pela primeira vez, ela é apenas uma mulher loira de olhos de esmeralda. Bem, eles se apaixonaram, é o que importa, acho.

Só há uma tentativa real de descrever quando o casal vai ter uma relação sexual, momento em que o autor se estende por pouco mais de duas páginas. Não é nada brilhante, mas ele não faz feio, e esse tipo de descrição faz muita falta. Em outro exemplo cria-se grande expectativa sobre um local que deveria ser o mais lindo do mundo, mas se o adjetivo (lindo) não tivesse sido usado não saberíamos o que pensar quando os personagens chegaram nesse local, já que eles chegam em uma linha e na outra já estão voltando… Isso até tira o “feeling” romântico do livro.

Em todo caso, terminei de ler o livro, e apesar de não ter me arrependido, também não fiquei satisfeito, tampouco emocionado, pensativo, ou qualquer outro tipo de emoção que se tem quando um livro acaba. O livro é morno o tempo inteiro, chegando a ficar frio em algumas horas… Ah, sim! Lembrei do pensamento que tive depois de terminar: “como conseguiram vender mais de 12 milhões de cópias deste livro?”

A ideia da história é muito boa, e talvez o esqueleto do desenvolvimento também tenha sido, mas o que existe entre esses dois pontos é péssimo. “Digitei 80 mil palavras, enxuguei para 25 mil”. Nós damos graças a Deus, Nick, por você ter enxugado tanto, por que se o livro tivesse o dobro do tamanho que tem, eu estaria dormindo agora…

Não recomendo a sua leitura. Quer conhecer a história? Assista ao filme. É muito bem adaptado, e tem a vantagem da visualização, recurso de que Nicholas Sparks não se vale para escrever o livro. Fique longe do livro, a não ser que você seja uma mulher romântica com pouca leitura na bagagem. Não, não é preconceito.

E pra não dizer que sou chato, um trecho do livro:

Ficamos sentados em silêncio, contemplando o mundo à nossa volta. Levamos uma vida inteira para aprender isso. Parece que somente os velhos conseguem ficar sentados desse jeito, um ao lado do outro sem nada dizer, e ainda assim se sentirem contentes. Os jovens, irrequietos e impacientes, têm sempre de quebrar o silêncio. É um desperdício, porque o silêncio é puro. O silêncio é sagrado. Ele aproxima as pessoas, porque só quem se sente confortável ao lado de outra pessoa pode ficar sentado sem falar. Esse é o grande paradoxo.