Fotografia da minha autoria

«Páginas feitas de memórias, para leitores de todas as idades»

As imagens produzidas pela poesia têm traços que me comovem. Se juntar a esta identidade a escrita de um dos meus autores favoritos, Afonso Cruz, os versos transcendem-me. E levam-me numa viagem que tem tanto de emocional, como de surpreendente, porque todas as situações conseguem ter mundo e ler-nos a alma.

UM LIVRO PARA REGRESSAR

O Livro do Ano tem uma premissa encantadora. Afinal, imaginem o privilégio que é ter acesso ao diário de «uma menina que carrega um jardim na cabeça, atira palavras aos pombos e sabe quanto tempo demora uma sombra a ficar madura». Embora seja uma personagem fictícia, quantas pessoas reconhecemos nesta descrição? Lembrei-me de algumas, porque, sorte a minha, estou rodeada daqueles que nunca se recusam a dar asas à imaginação - sem que, com isso, percam o norte, quando a racionalidade é exigida nas suas vidas.

«Deitarei Primavera no Outono»

Esta obra reúne, portanto, uma série de pensamentos soltos e de memórias, ao mesmo tempo que nos proporciona uma travessia pelas estações do ano. E as ilustrações? Simplesmente maravilhosas! Nesta simbiose entre traços e termos, entre letras e desenhos a preto, recordamos a inocência de se ser criança.

«Às vezes, trago um deserto para casa.

É quando me sinto sozinha»

A simplicidade é protagonista e permite-nos ter acesso a uma maneira muito bonita de observar os horizontes que a menina procura transpor [com a dose certa de ingenuidade]. Saltitando por vários temas e particularidades do quotidiano, somos envolvidos na sua curiosidade, no seu humor e na sua ironia. Em simultâneo, somos envolvidos nas dores que nos marcam a todos, na incompreensão que vela os nossos passos e neste processo complexo que é o crescimento. Lê-se num sopro, mas fica connosco para sempre.

«Para aquecer o corpo, o melhor

é uma lareira. Mas, para aquecer

a parte de dentro do corpo,

o melhor é ler»

O Livro do Ano é um abraço apertado. Sabe a casa. E, como o excelente anfitrião que se releva, incentivando-nos a sonhar e a sair da nossa zona de conforto, deixa a janela aberta para que regressemos após o voo.

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