24
Set19
Maria do Rosário Pedreira
Agora, que me vou poder passar a queixar de ser sexagenária (oh, como detesto a palavra), não posso deixar de falar de um livro que foi recentemente reeditado pela Quetzal de um grandíssimo poeta português que acabava de cumprir esses mesmos 60 anos quando o escreveu. Falo de Vasco Graça Moura e do seu testamento – Testamento de VGM, para ser mais precisa – que se republica no quinto aniversário da sua morte e é, como o próprio autor disse oportunamente, «um divertimento muito sério». Citando a editora, trata-se de «um poema autobiográfico» em que Graça Moura, com a elegância e o talento de sempre, «canta os amores, trabalhos, filhos, amigos, inimigos, a cidade natal, o ofício literário, a paixão pela pintura e a sua natureza mais íntima.» Fica aqui um exemplo do que vos espera e a recomendação: leiam-no (ao poema e ao livro).
deixo a meus filhos versos cultos
e também prosas às centenas
(os meus dois filhos são adultos
e as minhas filhas são pequenas)
e muito amor: não deixo apenas,
tudo somado, alguns direitos,
e fui bom pai, nunca fiz cenas
e fi-los sãos e escorreitos.