![]() |
| Fotografia da minha autoria |
«Narrativas que foram surgindo um dia depois do outro»
As histórias precedem a literatura, uma vez que a humanidade usou sempre este veículo para se expressar. Antes de qualquer método que as formalizasse, já a arte de tecer narrativas persistia e procurava reinventar-se, porque «quem conta um conto acrescenta um ponto» é nesta partilha que existimos e que estreitamos laços. Portanto, no primeiro livro em prosa de Matilde Campilho encontramos esta essência de contador de histórias.
FLECHA FEITA DE ASA
Flecha compila uma série de contos, que foram surgindo «um dia depois do outro». E todos eles quiseram «chegar-se à luz», destacando vivos, mortos, objetos e movimentos, transitando entre épocas e lugares.
«(...) para que a magia suceda, é preciso deixar que a casualidade faça das suas»
Assim, há espaço para múltiplos cenários, pessoas e memórias, atendendo a que retrata situações mundanas, que facilmente poderíamos identificar no nosso meio. Embora cada um destes textos seja independente, têm todos a capacidade de nos fazer imaginar o que está descrito e, melhor, de nos levar a imaginar o depois - a linguagem visual está muito presente. Não me rendi a todos da mesma maneira, o que é natural, mas gostei da poesia inerente às suas descrições, à maneira como observa o ser humano e o lado trivial dos (nossos) dias.
«Depois fez silêncio outra vez, para dar um espaço à lágrima»
A flecha, como referiu a autora, «une os pontos e atravessa-os». Além disso, «há de cair na terra, para semear a Terra de Terra outra vez». Portanto, atravessando fronteiras, num movimento continuo, amealha retratos singulares. Na sombra de uma laranjeira ou perto de uma fogueira, estas histórias são uma longa viagem.
📖 Da mesma autora, li e recomendo: Jóquei
🎧 Música para acompanhar: Acácia, Luis Severo
Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥
