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| Fotografia da minha autoria |
«Da embriaguez à civilização»
As primeiras leituras do ano são sempre ponderadas, para iniciar com o pé direito. Porém, é evidente que esta seleção não dita o sucesso da caminhada literária - até porque a escolha depende do meu estado de espírito -, mas motiva-a com outra envolvência. Por isso, em 2020, reservei janeiro para me reencontrar com um dos meus autores favoritos - Afonso Cruz -, numa obra com um registo diferente do habitual.
«Somos o que sobra do bem, da euforia, da alegria esfuziante e insone»
O Macaco Bêbedo Foi à Ópera, que pertence à coleção Retratos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, é um ensaio interessantíssimo sobre a presença do álcool na vida do ser humano. Embora, em Portugal, se privilegie mais o vinho, compreendemos que a cerveja funciona como pilar da civilização, atendendo a que apresenta um caráter direcionado para a socialização, para o estreitar de ligações e para a partilha. Assim, partindo da Teoria do Macaco Bêbado, explora a evolução da humanidade - no comportamento social e político - e das próprias bebidas alcoólicas, sempre com um discurso claro, objetivo e cómico.
«O álcool faz a magia de transformar uma pessoa
desinteressante num sábio e um feio no cânone grego».
Nesta análise biológica - e, também, filosófica -, estabelecem-se pontes com a agricultura, com as consequências do consumo em excesso, com o processo de produção e, inclusive, com o sedentarismo. Em simultâneo, ficamos a conhecer a nossa história de outra perspetiva. Fundamentado com referências que nos despertam uma certa vontade de aprofundar mais o tema, O Macaco Bêbedo Foi à Ópera lê-se num par de horas, mas transborda de cultura - para amantes de cerveja e não só.
«[...] devemos a nossa existência a coisas boas, como o amor e a cerveja»
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