Leitura – “As Pequenas Virtudes” de Natalia Ginzburg
literatura, ofício da escrita, resenha literária, reflexão pessoal
Mais sobre o livro AQUI Sendo eu uma moça pouco dada a sinopses (para isso vai-se ao site da editora ou dá-se uma vista de olhos na contracapa) e a elaborações linguísticas profundas e densas sobre a leitura, gosto de me focar no poucochinho que ficou para mim daquilo que li.A escrita é maravilhosa: franca, clara, crua, sem peneiras ou medos do que tem para oferecer. Adorei que no prólogo tenha desde logo esclarecido que não fez correções aos textos iniciais. Achei o texto O meu ofício particularmente refrescante. Neste escreve sobre ser escritora, mesmo que a escrita possa não ter sido sempre o seu meio de sustento. Fez-me lembrar, por uma qualquer razão, o Manual para mulheres de limpeza da Lucia Berlin. Elabora sobre a importância de ter uma paixão, algo a que nos agarrar que é só nosso e que em nada depende do amor alheio. Revi-me aqui. Quis que as palavras tivessem sido minhas.Dos restantes textos, encantei-me por As relações humanas, provavelmente o meu favorito; e ainda estou a amadurecer a sua perspectiva de educação de As pequenas virtudes. Dá que pensar, porque coincidimos em algumas ideias, não estou certa de que noutras e há um ângulo que eu ainda não tinha considerado. É tramado que a forma como vemos e lidamos com o dinheiro possa dizer tanto de como nos conduzimos na vida.Contenho-me para não usar a palavra “interessante”.Quanto ao Léxico Familiar, está encomendado. Deve chegar por estes dias.Entretanto comecei a ler Tudo na natureza apenas continua, de Yiyun Li. Depois de dois capítulos ainda não sei o que pensar, sei apenas que a escrita me envolve suficientemente para que saiba que chegarei ao fim.O texto O meu ofício, começa assim:O meu ofício é o de escrever e eu sei-o bem e há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: sobre o valor do que posso escrever nada sei. Sei que escrever é o meu ofício.Não é maravilhoso?
Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros