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Out24

Maria do Rosário Pedreira

O grande escritor de canções Chico Buarque de Holanda é, para quem não saiba, filho de um grande historiador e académico chamado Sérgio Buarque de Holanda, autor, aliás, de livros importantes. Essa circunstância levou o nosso querido músico e cantor, aos nove anos, a viver um período em Roma, onde o seu pai leccionou numa Universidade. Inscrito numa escola internacional, o hoje Prémio Camões aprendeu italiano sobretudo com os títulos dos jornais no quiosque defronte de casa e com a rádio, a cozinheira e a miudagem da rua, uma vez que a maioria dos seus colegas, filhos de diplomatas, falava inglês no colégio. Mas isso não o impediu de conhecer a cidade de lés a lés, percorrida de bicicleta, nem de dançar nos braços de uma actriz como Alida Valli, uma das musas de Visconti. Bambino a Roma, o livro que acaba de sair em Portugal, é um delicioso conjunto de memórias de Chico Buarque do tempo que passou na Cidade Eterna aonde um dia chegam do Brasil as notícias do suicídio de Getúlio Vargas. Bastante saído da casca, já com pulsões sexuais aos nove anos, o bonitão do nosso Chico namorisca as italianas, joga à bola, discute com os irmãos mais velhos e observa uma Roma que não mais esquecerá. Lê-se como um romance.