09
Out23
Maria do Rosário Pedreira
Quando publicamos um livro de autor português, temos sempre de perguntar se há epígrafes, dedicatórias e agradecimentos por causa das páginas que é preciso guardar. As epígrafes são cada vez mais comuns, uma espécie de ponto de partida ou explicação apriorística que justifica o que aí vem; mas ficaram de tal maneira na moda que, muitas vezes, sinto que os autores vão à procura de qualquer frase que ilustre o seu texto quando deveria ter sido a frase a desencadear a escrita do livro. Isso faz-me lembrar uma colega de faculdade com quem tive de fazer um trabalho de grupo que, antes de começar, já tinha um número de citações que queria incluir à força no trabalho... Enfim, com as dedicatórias é diferente, e elas geralmente funcionam como agradecimento, homenagem ou uma espécie de presente. Aprendi, porém, com a newsletter da Livraria Bertrand que nem sempre foi assim e que, na época do Império Romano, se dedicava um livro a alguém importante e com poder para o publicar, e não a uma pessoa íntima, e que as dedicatórias eram muitas vezes longos elogios a esse desejado patrono, tornando-se mais curtas apenas no século XVIII. Hoje em dia, costumam ser bastante curtas, e diz a referida newsletter que maioritariamente contemplam membros da família, amigos, namorados e cônjuges. Já os agradecimentos costumam ir para o final e, regra geral, são dirigidos a quem leu, releu, ajudou a fazer, contribuiu com informações e opinou sobre o próprio livro. Curiosamente, são bem recentes em Portugal, pois nos anos setenta e oitenta era muito invulgar os autores agradecerem fosse a quem fosse.