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Jun25

Maria do Rosário Pedreira

Ando nisto dos livros há quase quarenta anos, mas todas as semanas tenho surpresas. Há uns tempos fui convidada pela Embaixada de França para assistir à proclamação do «Goncourt português». Para dizer a verdade, nunca tinha ouvido falar de tal iniciativa, e fui lá por curiosidade e também porque o actual director da Academia Goncourt é o escritor Philippe Claudel, que conheço há uns vinte anos (foi publicado pelo Manel) e aproveitei para o rever. Pois parece que esta história que eu não conhecia começou na Polónia há vinte e seis anos e foi-se estendendo a outros países europeus. Orientados por professores, estudantes de língua francesa recebem as obras finalistas do Goncourt original (neste caso eram quatro) e votam na que, quanto a eles, merecia ser a vencedora. (Às vezes coincide com o verdadeiro premiado em França, outras não.) Em Portugal foram oito as universidades que participaram este ano. O melhor relatório é premiado (com um pacote de livros franceses) e, desta feita, foi para uma estudante da Universidade de Aveiro que fez uma bela defesa de Houris (o romance vencedor em França), do argelino Kamel Daoud. Mas, no conjunto das oito universidades, a obra que recolheu mais votos foi Jacaranda, de Gaël Faye, que, segundo contou o encarregado de negócios da Embaixada, tem sido o romance preferido em quase todos os países que colaboram neste projecto do Goncourt fora de portas. Mas como é que eu nunca soube de uma iniciativa tão interessante nestes anos todos? Podiam fazer isto também com o Booker, porque não?