09

Nov22

Maria do Rosário Pedreira

Tenho um amigo estrangeiro que desde jovem «coleccionava» países; ou, melhor, estava sempre a partir para lugares que não conhecia senão dos mapas, muitos deles com nomes e localizações estranhos. Foi nesse contexto que viajou para as ilhas Feroe ou Tonga, por exemplo, mas também para a Coreia do Norte, que é talvez o país mais fechado do mundo. Lá, contava ele, andava para todo o lado acompanhado por três homens: o seu intérprete (chinês-inglês); um tipo que percebia inglês e que estava ali para garantir que o intérprete não dizia mais do que devia; e um suposto guarda, que se assegurava de que os outros dois não perguntavam ao estrangeiro como poderiam ir-se embora dali... Mas, tanto quanto sei, este meu amigo nunca saiu da capital, onde viu todos os museus dedicados ao «Dear Leader» e ao «Big Chief», nos quais havia presentes oficiais de todas as latitudes, até, calculem, um galo de Barcelos. Há, porém, quem na Coreia do Norte tenha conseguido passar mais tempo e sobretudo em lugares aonde não ia um estrangeiro há sessenta anos... José Luís Peixoto escreveu sobre essa sua visita no livro Dentro do Segredo, que acaba de fazer dez anos de publicação. O aniversário é celebrado com nova edição, agora com capa dura e fotografias inéditas feitas pelo próprio autor.

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