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| Fotografia da minha autoria |
«Cozinhar é só um jeito diferente de amar»
A necessidade aguça o engenho. O ditado é antigo, porém, acredito, há uma verdade inegável na sua base. Porque aprendemos a ser criativos quando a vida nos coloca à prova. E se queremos manter-nos à tona, primeiro, temos que saber nadar. E, depois, sermos ousados. Este processo leva o seu tempo, até porque depende de uma predisposição mental e emocional forte. Mas o resultado pode ser surpreendente.
A Miss Pavlova é um exemplo desse sentido de perseverança. Ana Maio ficou desempregada e «decidiu mudar de vida». Então, aproveitando a utilidade e o alcance das redes sociais - mais concretamente, o facebook -, criou uma página e começou a vender «a sobremesa que já era um sucesso entre a família e os amigos», a mesma que empresta o seu nome à loja, que nasceu em 2013. Como que por magia, «o projeto cresceu como cresce um bolo no forno». E isso implicou que a marca saltasse do mundo online para «os mercados urbanos do Porto, onde portugueses e turistas se encantaram pelo aspeto e pelo sabor das Pavlovas, crocantes por fora, cremosas por dentro, com ingredientes super frescos para colorir o topo. E com uma história tão doce, seria impensável não procurar conhecer o espaço na primeira pessoa.
Localizada no interior do Almada 13 - uma department store alternativa, que se dedica à curadoria de intentos contemporâneos de arts & crafts, resultante da sinergia de cinco lojas -, a cafetaria Miss Pavlova apresenta uma atmosfera envolvente, transbordando identidade. Além disso, prima pelo conforto e pelo traço intimista, até pela dimensão da sua sala, convidando-nos a relaxar e a desfrutar de um ambiente descontraído, atencioso e com opções deliciosas. No meio de tanta oferta, foi complicado selecionar somente uma fatia deste bolo divinal, que combina uma base de merengue - semelhante à de um sonho - e um interior quase aveludado, ao qual podem ser adicionadas as mais variadas coberturas. Uma autêntica tentação.
A R. já conhecia o conceito. E, no dia da inauguração das luzes de Natal, no Porto, pareceu-nos a desculpa perfeita para que também eu usufruísse desta experiência gastronómica. Enquanto a minha Gémea foi pela Floresta Negra, eu rendi-me aos encantos da Pavlova de Maracujá. Acabamos por dividir e, honestamente, não sei dizer qual a minha favorita, porque estavam ambas maravilhosas. E o contraste de sabores permanece no nosso paladar. Confesso que as minhas expectativas iam elevadas, mas foram facilmente superadas. Por tudo. Desde a confeção ao cruzamento dos detalhes cuidados que nos fazem sentir em casa.
A Miss Pavlova tem outros produtos, incluindo um menu de Brunch. Mas, mais do que isso, tem alma. Tem originalidade. Margem de progressão. E espelha uma mensagem imprescindível: há sempre uma forma de virar o jogo. Basta acreditar. E, por vezes, colocar a mão na massa.
Já visitaram a Miss Pavlova?
