08

Jul11

Maria do Rosário Pedreira

O senhor do quiosque onde há muitos anos compro diariamente o jornal e um maço de cigarros – e que, além destes dois mesmíssimos artigos, vende também ao Manel a Lire, a Ler, Os Meus Livros, o Magazine Littéraire, o JL, El País de sábado e tudo o que tenha que ver com livros – diz que já há algum tempo que não vende revistas. Não, não é por causa da crise. O que quer dizer é que já não são exactamente as revistas que as pessoas lhe compram, mas as malas, sandálias, lenços, faqueiros e outra tralha que as revistas oferecem ou comercializam a preço de saldo para conseguirem vender-se; e que as pessoas já não escolhem entre a Lux, a Caras e a VIP, mas entre, por exemplo, umas havaianas, uma bolsa de ráfia e um saco de praia. Recentemente, uma editora de livros, que por acaso até é do grupo para o qual trabalho, também pôs à venda cinco títulos diferentes acoplados a echarpes de cores distintas – e temo que as pessoas deixem de olhar para os autores desses livros e, afinal, escolham sobretudo pelo tom da echarpe que lhes dá mais jeito. Quando, numa sessão no Chapitô, se discutiam recentemente as vantagens e desvantagens do livro electrónico, o editor Carlos da Veiga Ferreira aproveitou logo essa campanha para dizer: «E nos e-books como é que incluem as echarpes?»