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Nov25

Maria do Rosário Pedreira

O Manel mostrou-me um dia destes um vídeo divertido no qual Mariana Mortágua e André Ventura pareciam colegas cordatos e até amigalhaços. Era, está bem de ver, um desses numerosos filmes produzidos por inteligência artificial para, à primeira vista, ver se caímos na esparrela de acreditar e, logo a seguir, nos fazer rir. Leio num jornal espanhol (provavelmente o El País, que assinei numa altura em que houve uma campanha para ajudar os jornais) que hoje em dia a frase de S. Tomé «ver para crer» perdeu o sentido, já que podemos estar a ver duas pessoas falar, rir, dar a mão, jurar que se portam bem, mas tudo não passar de uma encomenda a essa coisa que hoje enche o nosso quotidiano chamada Inteligência Artificial. Como dizer, porém, a crianças e adolescentes que vão à Internet que aquilo que elas estão a ver e a ouvir não aconteceu se parece estar ali a prova do contrário? A capacidade de distinguir entre realidade e construção virtual têm-na os adultos (e não todos, daí que haja tantas notícias falsas e manipuladoras nas campanhas eleitorais), mas, neste artigo do El País de que falo, o seu autor, Pablo Lafuente Cordero, diz que, em tempos de Inteligência Artificial, é forçoso que a educação, seja na escola seja em casa, avance ao mesmo ritmo da tecnologia e evitar que os menores naveguem na Internet sem acompanhamento; é também necessário propor aos jovens exercícios simples que fomentem o desenvolvimento do pensamento crítico e que os levem a fazer perguntas antes de acreditarem em tudo o que vêem e reenviarem para todos os amigos um vídeo, uma fotografia ou uma história falsa. Concordo, claro.