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Mar20

Maria do Rosário Pedreira

Há muitos anos, quando comecei, ainda tão nova, a ir à Feira do Livro de Frankfurt, conheci um casal da edição do qual nunca mais me separaria: a Maria da Piedade Ferreira, que é hoje a editora de António Lobo Antunes na LeYa, mas passou por variadísimas chancelas, como a Bertrand, a Difel, a Quetzal e a Gótica; e o Rogério Petinga, um artista que fez algumas das capas de livros mais lindas que Portugal já teve. Ambos, com Maria Carlos Loureiro e Francisco Faria Paulino, foram os fundadores da editora Quetzal, que primou sempre pelo bom gosto extraordinário quer na escolha dos autores (Duras, Tabucchi, Julian Barnes...), quer na imagem gráfica. Fico orgulhosa de ter publicado lá o meu primeiro livro de poesia, com capa de Rogério Petinga. Na Gótica, que os dois fundaram mais tarde, foi também ele que fez as capas dos meus livros seguintes. Infelizmente, este grande artista escondido (sim, era um homem discreto e metido consigo) deixou-nos na sexta-feira passada. Espero que a sua obra gráfica possa ser um dia mostrada a todos, pois é notável. Paz para ele.

Sugiro hoje um livro que foi editado originalmente pela Quetzal com capa do Rogério Petinga: O Papagaio de Flaubert, de Julian Barnes. Imperdível ainda hoje.