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Seis livros LGBTQ indicados pela equipe da ‘Fina’ no mês do orgulho
Giovana Proença e Matheus Lopes Quirino
Controle, de Natalia Borges Polesso
Amora proseia em torno dos relacionamentos lésbicos. Mais do que abordar a homossexualidade feminina, os contos são sobre mulheres diversas em suas vivências sentimentais, transitando entre o amor e seu feminino. A temática se repete em Controle. Em seu primeiro romance, Natalia Borges Polesso nos entrega uma protagonista epilética. Sentindo-se retirada do controle da própria vida, Nanda passa seus anos de formação em meio a proteção exacerbada e na iminência das crises e da ansiedade, encontrando amparo na amiga Joana. Por trás, esconde uma paixão mal delineada simultânea ao afeto que escorre incontido. (Giovana Proença)
Fun Home, de Alison Bechdel
Os livros são o elo mais poderoso entre pai e filha, e durante anos, embora a convivência caótica do lar venha inspirar Fun Home, as referências que o livro brinda o leitor são um verdadeiro compêndio sobre histórias da sexualidade, de Virgínia Woolf a Collete, passando por clássicos gays como Maurice. E não é para menos. “Se já houve uma bicha maior do que meu pai, foi Marcel Proust”. Soa engraçado, e na verdade é sim. Com seu humor aguçado, a cartunista Alison Bechdel vai do clássico ao vulgar em sua novela gráfica. Muito disso deve a seu pai, o professor de inglês Bruce Allen Bechdel. (Matheus Lopes Quirino)
Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu
Morangos Mofados é um capítulo à parte no conjunto da obra de Caio Fernando Abreu. Mais do que nunca, temos o retrato emoldurado da geração de 80. Limítrofe, fronteiriça como a própria Santiago do escritor gaúcho. Ícones culturais da década são referências nos contos. A vivência homossexual marca narrativas conceituadas do autor. O olhar de soslaio e os encontros furtivos, longes das vistas. Mas Raul e Saul escolhem ser infelizes para sempre, como narrou Caio no desfecho de “Aqueles dois”. A astrologia orienta encontros. Ao mesmo tempo que os astros são definidores de ocasiões, o horóscopo é diário. A melodia dos Beatles ao fundo na rádio, casualmente. (Giovana Proença)
O Coração é Um Caçador Solitário, Carson McCullers
O Coração é Um Caçador Solitário é o romance de estreia de Carson McCullers. Com ele, aos 23 anos, a escritora americana (1917-1967) alcançou glória precoce. Desajeitada, pálida e com transtornos mentais evidentes, a romancista foi alvo de bordoadas literárias ao longo de toda a sua breve trajetória, envolvendo-se em polêmicas que a tornaram personagem de si mesma. Em O Coração é Um Caçador Solitário, temas espinhosos para a época, como racismo, homossexualidade e antissemitismo, são abordados de forma detalhista, corajosa. McCullers lança seu verniz descritivo impregnando a obra com requintes de solidão. (Matheus Lopes Quirino)
Canções de Atormentar, Angélica Freitas
A poesia de Angélica Freitas é uma sonora contestação em versos. Autora de Rilke shake e do célebre Um útero é do tamanho de um punho, Angélica repete o caráter questionador de suas obras em Canções de atormentar, novo livro lançado pela Companhia das Letras. Transitando entre o privado e o público, Angélica compõe um caleidoscópio temático: as origens e a infância no Sul, a política em tempos de barbárie, as referências animalescas e a relação com o feminino – aproximando-se da fórmula de Um útero é do tamanho de um punho. (Giovana Proença)
O Amor dos Homens Avulsos, Victor Heringer
A crítica bem definiu a prosa de Victor Heringer como Machadiana. Com seu romance de estreia, O Amor dos Homens Avulsos, Heringer constrói a infância de Camilo, filho de um médico que mora afastado do centro do Rio de Janeiro. Na casa espaçosa da infância ele vai descobrir o que é amor quando chega Cosme, cria da rua que seu pai acolhe. Por olhos de menino, Heringer trabalha em cima das memórias de um narrador já envelhecido que, durante uma mudança, vai juntando os fragmentos de uma vida. (Matheus Lopes Quirino)