17

Jan17

Maria do Rosário Pedreira

Defendo que não há nada pior do que tentar apagar o passado, por pior que tenha sido, e creio que assistir a determinados documentários ou ler a verdade sobre o Holocausto, por exemplo, leva a que lutemos para que esse tipo de horrores não volte a acontecer. E, porém, fiquei um bocado assustada com a notícia de que Mein Kampf (A Minha Luta), a obra de Adolf Hitler que já não era publicada na Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial, foi um dos livros mais vendidos naquele país contra todas as expectativas (aliás, a primeira tiragem foi de apenas 4000 exemplares e já se venderam 85 000!). O Instituto de História Contemporânea de Munique, que organizou um grande número de debates e apresentações à volta da obra, informa, porém, que esta edição anotada por especialistas do manifesto anti-semita do líder nazi, apesar de nunca ter saído do Top de vendas de livros de não-ficção desde que foi distribuída, tem servido sobretudo para promover o debate por toda a Europa sobre as consequências nefastas dos regimes autoritários e está longe de inflamar o neo-nazismo e a ideologia de extrema-direita que a obra expressa. Numa altura em que existe uma onda de xenofobia por toda a Europa, especialmente no que toca aos refugiados oriundos do Médio-Oriente, espero que seja mesmo assim: a nossa luta contra a luta de Hitler.