Fotografia da minha autoria

Tema: Um livro fora da tua zona de conforto

Livros: um passaporte de cultura, conhecimento e entretenimento. Por vezes, com esses fragmentos a ocorrerem em simultâneo. Embora aprecie o aconchego de estilos e autores que caminham de mãos entrelaçadas às minhas preferências, também invisto em rotas improváveis. Portanto, para o tema de fevereiro de Uma Dúzia de Livros, libertei-me da minha zona de conforto e aventurei-me na banda desenhada de Marjane Satrapi.

«Para me esclarecer, compraram-me livros»

Persépolis é um relato na primeira pessoa, dividido em duas partes imprescindíveis: a infância e o regresso às origens. Assim, através da história da protagonista, somos confrontados pela realidade de uma nação inteira, subjugada por fundamentalistas mercenários, que se movimenta numa onda de desigualdades, dificuldades, mudanças e extremismos, evidentes em sucessivos massacres. Na cidade de Teerão, no Irão, o clima político é instável e há uma revolução a adquirir forma. E Marj, de dez anos, observa tudo com um misto de inocência e irreverência, mas com uma vontade imensa de compreender o que a rodeia e, sobretudo, de fazer a diferença. Para tal, procurou instruir-se.

«Senti tanta vergonha... e tanta pena dela»

Desenrolando memórias e situações dramáticas, há um tom muito franco nesta narrativa aos quadradinhos, aproximando-nos de uma história que, não sendo a nossa, não podemos ignorar. Porque denuncia o fanatismo, a opressão e o machismo. Por outro lado, acentua a importância da família e a necessidade de verbalizarmos o nosso inconformismo, apesar dos riscos explícitos, ainda para mais, sendo mulher. Porque o medo é uma arma poderosa, assim como a informação. E só uma sociedade informada se opõe aos regimes repressivos que deformam mentalidades.

«Voltei-me para vê-los pela última vez»

Esta obra é extremamente humana e tem ilustrações monocromáticas fabulosas. Além disso, não deixa de ser irónico o toque poético e humorístico presente no texto. Talvez porque, mesmo no meio do caos, a intimidade e a ternura dos nossos - e daqueles com quem nos cruzamos - seja uma salvação. Focando questões como a emigração, os vícios, a depressão e o quanto é errado julgarmos um país por crimes de terceiros, também nos fala de amor, de fé, de superação e de perdão.

«O que quer que eu diga? Que me tornei o vegetal que me recusava a ser?»

Persépolis é feito de fronteiras, mas também de estratégias para quebrar esses muros sociais e políticos. E é o retrato da emancipação de uma menina-mulher inspiradora, que luta pela sua liberdade, recusando-se a aceitar que este direito pertença a um grupo restrito.

«Decidi encarar aquele pequeno problema como um sinal. 

Era altura de pôr fim ao passado e de olhar para o futuro»

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