Fotografia da minha autoria

«O meu sítio, minha origem, trago sempre comigo»

Vila Nova de Gaia. Minha identidade. Cais de sonhos e de regaço aberto ao mundo. Berço de saudade e de calma. Ponte[s]. É, há 27 anos, o meu porto seguro. E a minha melhor definição de casa. Por isso, sinto um orgulho desmedido em todos os detalhes que lhe começo a saber de cor. Aqui fiz morada, família e amigos. E acredito que há mais presente e futuro entre nós. Sinto-a a crescer. E cresço no mesmo compasso. Descubro-lhe a história e revisto-me da sua magia. Nesta vila que se tornou mulher, há um passado cravado à sua margem. Há amor. E uma mão cheia de memórias que a elevam a inigualável.

O charme desta cidade começa ou termina - dependendo da perspetiva de quem regressa - no Douro. E estende-se em passos lentos, para desfrutar da nossa corda de praias maravilhosa. Mas há mais. Há sempre mais, sobretudo, quando neste nosso ADN nortenho se identificam «empresas de Vinho do Porto, industria automóvel, vidreira e componentes elétricas». E quando, palmilhando o caminho, existem músicos, pintores, escultores e arquitetos de renome; e atividades turísticas prontas a receberem «milhares de estrangeiros», sem esquecerem quem lhes pertence: de nascença ou afinidade. Além disso, somos movidos por festivais e por festas. E pelo conforto da não estagnação. Porque a Gaia não lhe faltam motivos para se desenvolver.

A personalidade deste lugar - e do seu povo - não diminui os seus costumes. Muito pelo contrário, preserva as tradições e privilegia a «perfeita dicotomia entre rio/mar e terra». Na gastronomia, destaca-se o sável e a lampreia. E a deliciosa Broa de Avintes. O vinho do Porto. E os Velhotes - «singelo doce de romaria». No alojamento, sustenta-se o lado moderno e cosmopolita, mas também fachadas envelhecidas, que lhe atribuem histórias ímpares. E ao seu património acrescem os contrastes. O centro histórico. A «rusticidade das freguesias». As caves. Os jardins. As capelas. O solar. Os parques. A reserva natural. A Serra do Pilar. Os monumentos. E, claro, a cultura em distintas artes. E as pessoas que conferem autenticidade, sentido e força a cada traço que se edifica dentro das nossas fronteiras.

A minha cidade esconde paisagens arrebatadoras. Sabe ser colo. Local de passagem. E braços abertos. Não é perfeita, longe disso, mas reinventa-se. Orgulha-se do que construiu. E procura evoluir. E eu sinto na pele o terno encanto de lhe pertencer. Para sempre.