Fotografia da minha autoria

«O silêncio diz muita coisa»

Foi contigo que aprendi que também se ama em silêncio, numa dança infinita de olhares e de abraços de cumplicidade. Porque tudo é descomplicado, quando comunicamos sem palavras, privilegiando o conforto e a familiaridade que apenas dois corpos livres interpretam.

Desprendo-me da insegurança que uma expressão mal dita pode provocar, para compreender que me conheces melhor sempre que me observas a escutar conversas improváveis entre trutas e tartarugas. E até a gargalhada estridente que partilhamos é mais sonora por ficarmos assim: envolvidos numa inércia de ruídos. Era capaz de ficar neste estado a minha vida inteira, se te tivesse sempre comigo - não sei até que ponto este silêncio resultaria tão bem com qualquer outra pessoa.

No entanto, reconheço, era capaz de começar a sentir saudades do teu tom rouco, charmoso. Mas sabe-me bem permanecer calada ao teu lado. Porque me amas sem rodeios. És a minha pessoa. Talvez, por isso, não precise de te falar para que sintas, exatamente, o que te quero dizer.

M, 10.04.2015