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| Fotografia da minha autoria |
«Património de valor incalculável»
A tradição tem peso e, muitas vezes, prevalece em relação às mudanças. Quando questões comerciais, turísticas ou culturais entram na equação, torna-se quase identitário, porque há um reconhecimento que nos aproxima dos primórdios da sua história. E mesmo quando a grafia nos deixa com dúvidas - será Bussaco ou Buçaco? -, compreendemos que esse aspeto não é o mais importante, porque é a essência que nos conquista.
A Mata Nacional do Buçaco [grafia atual] imprime em qualquer viajante um silêncio prolongado, por causa da paisagem envolvente e por nos proporcionar um roteiro plural. Assim que nos perdemos nos seus trilhos, há um pensamento eternizado por Saramago, no livro Viagem a Portugal [ainda não li], que me parece traduzir as nossas perceções: «a Mata do Buçaco requer as palavras todas e estando ditas elas, mostra como ficou tudo por dizer». Porque aquilo que a nossa vista alcança parece não caber em nenhum termo: é maior do que nós.
A simbiose entre os vários patrimónios - natural, arquitetónico e cultural - é fascinante, visto que se torna quase palpável a harmonia com que se sucedem ao longo deste cenário saído de um conto de fadas. E revestido de um mistério particular, deambulamos por um ambiente de lendas, trilhos temáticos e fachadas majestosas. Portanto, o segredo é mesmo deixarmo-nos ir, mas sempre atentos ao caminho extenso e às suas subtilezas.
[Na parte II desta viagem, mostrar-vos-ei o que poderão visitar]
