Como se eu fosse um livro

Sinto a falta dos dias
Em que me lias nas entrelinhas
Como se eu fosse um livro
Em tinta-da-china desenhado.
Para ti eu era mais que um livro de bolso Eu era o teu bem-querer precioso.

Relias cada uma das minhas palavras
Que apelidavas por mágicas
Devido à existência de quebra nas emoções contidas.
Sentia-me sempre segura nas tuas mãos
Mesmo quando as sentia trémulas.

Com o passar do tempo
Minha história desgastava teu espanto
E passaste a ler folhas mais brancas
Com sabor a livro novo.
E eu passei a ser um mero texto decorado
Impresso em folhas velhas e amarelas.

Carla Costeira

(do livro Mergulho no mar da poesia - edium editores)