Fotografia da minha autoria

«De copo sempre cheio»

Seduzes-me com um copo

De Porto aveludado

De um toque maduro

E inebriante a balançar

Nos meus lábios carmim

Que cedem a essa investida

A garrafa esvazia

E os corpos aceleram

Sem sentidos palpáveis

Desligando-se da madrugada

Que em silêncio

Parece deambular em contramão

Alimentando-se do nosso ausente

E sempre desafiante

Compromisso utópico

Desvirtuo a inocência

Bebo um copo para acalmar

E liberto a decência

Perdendo a compostura

Rígida e assertiva

Que te transmito

Seduzes-me

Com um Porto na mesa

E outro do lado de lá da margem

E eu cedo

A este jogo desonesto

Com que me tentas aprisionar

O copo está vazio

E eu esgotei as palavras