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| Fotografia da minha autoria |
«O maior jardim oriental da Europa»
A minha lista de desejos tem um compartimento reservado para os destinos turísticos que pretendo explorar dentro do nosso país. Por isso, é sempre maravilhoso quando, à frente de cada nome, consigo desenhar um visto. Mesmo no meio de um ano tão atípico, que nos obrigou a repensar vários programas, partimos rumo ao Bombarral, para conhecer o mundo mágico disponível no interior da Quinta dos Loridos.
O Bacalhôa Buddha Eden, criado pelo Comendador José Berardo, surge como um manifesto contra a destruição dos grandes budas afegãos de Bamiyan, naquele que foi um dos maiores atentados culturais, aniquilando obras primas do período Gandhara - do século VI. O jardim tem uma dimensão de cerca de 35 hectares e um impressionante número de estátuas em mármore e em granito, apelando à paz. Além disso, é uma área em franca expansão, que pode ser visitada a pé ou de comboio.
Este espaço foi idealizado com o intuito de transmitir harmonia. Embora seja bastante concorrido, senti-me mesmo serena a palmilhar os seus trilhos, porque cada detalhe tem uma energia inspiradora. E a fluidez com que se sucedem deixa-nos arrebatados; deixa-nos a desejar permanecer ali por uns belos pares de horas, para absorver a sintonia entre a Natureza, as esculturas, as pontes e as lanternas em pedra. Tal como vem descrito no guia, ao percorrermos os caminhos serpentinosos, encontramos um novo e inesperado tesouro. Este jardim apresenta, ainda, lagos adornados por cerejeiras e árvores japonesas, onde podemos observar as exóticas carpas Koi - e também tartarugas.
A escadaria central é o principal ponto de atração. No entanto, fiquei fascinada com toda a planta do Buddha Eden, que se difunde de uma forma tão bonita. Delicada. E imponente. Para além dos budas, dos pagodes, das figuras em terracota, é percetível a existência de áreas com histórias particulares, como é o caso do Jardim de Escultura Moderna e Contemporânea, com peças de vários artistas, funcionando como uma galeria em espaço aberto. Uma curiosidade interessante é que as obras vão sendo substituídas, proporcionando experiências distintas aos novos visitantes. Em simultâneo, temos acesso ao Jardim de Esculturas Africanas, dedicado ao povo Shona do Zimbabué, que há mais de mil anos esculpe pedra à mão, transformando-a em obras de arte.
O roteiro reserva-nos infinitas surpresas. E quanto mais desvendamos do seu percurso, mais pretendemos conhecer. Porque tudo alimenta a nossa curiosidade e o nosso sentido crítico. Deste modo, deambulamos pelo Lago das Palmeiras, pelo Labirinto de Bambu, pelo Anfiteatro, pela zona dos Guerreiros Xian em Terracota, pela Escadaria dos Budas Dourados, pelas Torres de Pagode, pelo Lago da Tranquilidade, pelo Miradouro do Fogo, pelos Treze Budas dos Mortos, pela Fonte do Caminho do Lago, pelo Lago do Pagode e pelo caminho que nos permite descobrir a História do Vinho - o passeio culmina no Restaurante e Loja do Vinho. Como se pode verificar, não escasseiam paragens obrigatórias.
Quando entramos neste lugar encantado, somos convidados a desfrutar de um passeio lento, mas sempre recheado de estímulos, arte e beleza. O Bacalhôa Buddha Eden foi paixão ao primeiro olhar, proporcionando-me uma experiência memorável. Porque é mesmo feito de uma paz singular.
APONTAMENTO
A entrada tem o custo de 5€. Se pretenderem fazer a visita de comboio, acrescem 4€. Pessoalmente, aconselho a viagem a pé, até porque é um espaço amplo, com bons acessos. Ainda que o comboio possa proporcionar um momento agradável, estão sempre mais limitados para parar, explorar e fotografar. Além disso, não deixem de ler os horários, avisos e recomendações no site - ainda não dispõem de bilheteira online.
Já tiveram a oportunidade de visitar?
