Sabemos que os livros inspiram filmes e peças de teatro, mas que tenham também estado na base da composição de conhecidas canções já não é tão óbvio. E, porém, Alexis Petridis escreve sobre o assunto um interessante artigo no The Guardian que eu, apesar de perceber muito pouco de música, gostei de ler. Selecciona vinte canções e a literatura que as "provocou" mais ou menos directamente; e começa por referir que uma das músicas que ouvi muito ao longo da vida, Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, resulta de um conselho dado por Marianne Faithfull a Mick Jagger para que lesse Margarida e o Mestre, de Mikhail Bulgakov. Já outra pérola da minha juventude, a canção Both Sides Now, de Joni Mitchell, foi inspirada por uma passagem sobre nuvens do romance Henderson, o Rei da Chuva, de Saul Bellow, que a cantora leu durante uma viagem de avião. Parece que The Sensual World, de Kate Bush, é uma fantasia a partir de Molly Bloom de Joyce. David Bowie quis escrever um musical baseado em 1984, de Orwell, mas, como os herdeiros se opuseram, casou 1984 com sua a própria visão do Apocalipse na canção Diamong Dogs. O Perfume, de Patrick Süskind, é a obra de que partiu a canção Scentless Apprentice, dos Nirvana. Já os The Cure se inspiraram em O Estrangeiro, de Camus, para escrever Killing an Arab. A canção Firework, de Katy Perry, tem por base Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac; e até a menina Taylor Swift se identificou com uma personagem dos romances de Nancy Mitford para a sua canção The Bolter. Enfim, músicos que lêem...