01
Set25
Maria do Rosário Pedreira
Ora sejam muito bem-vindos de novo ao blogue, se é que já vieram de férias, se é que ainda aí estão (e espero que sim). Depois de arder uma parte significativa do País, lá se foram tantas árvores que falar de livros em papel até pode parecer pecado. Porém, neste intervalo silencioso ouvi dizer que o Governo acabou com a rede de bibliotecas escolares e com o PNL (não consigo ainda confirmar se é um corte total, se foi apenas uma espécie de transferência para outro local do tipo boneca russa), e portanto não posso desistir do meu papel de divulgadora e impulsionadora da leitura, até porque isto não anda lá muito fácil para a literatura a sério. Havemos de trocar ideias sobre o assunto nos próximos tempos, claro, mas neste primeiro dia é para dizer que ando/andei a ler dois livros que falam do luto, nenhum deles de ficção: um pequeno livro de homenagem a um pai, O Meu Pai Voava (assina-o Tânia Ganho, escritora e tradutora), que colige episódios, memórias e reflexões sobre o pai e o vazio que deixou (muito bonito mesmo, o pai da Tânia fez-me lembrar tantas vezes o meu pai, sobretudo na sua falta de pragmatismo e no seu alheamento em relação às notas dos filhos na escola); e um livro de Valter Hugo Mãe chamado A Educação da Tristeza, ilustrado pelo próprio autor e cujo texto é impresso a cores que designam mortes particulares, com vários textos sobre a dificuldade em aceitar a morte de pessoas próximas (o sobrinho de 16 anos, a melhor amiga, o pai...) e sobre o desaparecimento de uma alegria que os mortos levam com eles e que não conseguimos recuperar como eles se calhar gostariam. Ambos muito recomendáveis. (Amanhã falaremos, se possível, de coisas mais alegres.)