07
Set23
Maria do Rosário Pedreira
Confesso que nunca tinha lido esta pérola nem ouvido falar do autor, que era sobretudo um diplomata que se dedicava à escrita de peças de teatro. O conhecimento veio através do professor Miguel Viqueira, que usou o texto como trabalho de mestrado com alunas do curso de Tradução na Faculdadede Letras e, assim que o li, fiquei completamente seduzida. Na Espanha católica dos anos cinquenta, um rapaz aguarda, ansioso, a chegada do verão e dos primos, principalmente Helena. Mas, de um verão para outro, Helena transformou-se. Pode a inocência tornar-se subitamente desejo? E pode o que se sente… ser pecado? Este é um livrinho absolutamente maravilhoso sobre a transição da infância para a adolescência. Tão simples que é impossível não nos revermos nele. Quando apareceu, em 1952, Helena ou o Mar do Verão foi considerado por um o grupo de leitores entusiastas uma das obras mais extraordinárias da narrativa espanhola do pós-guerra. Passados tantos anos, permanece intacto o seu poder de sugestão e o lirismo da escrita de Julián Ayesta. O jornal El País considerou-o um dos dez mais belos textos ficcionais espanhóis do século passado.
