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Fev25
Maria do Rosário Pedreira
Nesta edição das Correntes d'Escritas, foi inaugurada na Biblioteca da Póvoa de Varzim, hoje dirigida por Lurdes Adriano, uma exposição de Daniel Mordzinsky chamada Mundo Sepúlveda e dedicada ao escritor que morreu de COVID em 2020 (e que é muito apreciado pelo pessoal da Póvoa de Varzim por ter sido um dos primeiros convidados do encontro e ter voltado lá muitas vezes). Uma das fotografias dessa exposição é uma casa no meio da selva (com Sepúlveda num terraço), creio que na Colômbia ou na Venezuela, perto do lugar onde tinham sido rodadas cenas do filme O Velho Que Lia Romances de Amor, baseado no romance homónimo do autor chileno. Muitos anos depois dessas filmagens, o escritor tentou regressar ao sítio das filmagens, mas a selva já tinha engolido tudo. No entanto, apareceu de repente do meio do nada um jipe com uma senhora francesa que quis saber o que fazia ali um grupo de pessoas vindas da cidade, e eles explicaram-lhe ao que iam. Ela levou-os ao local (já nada sobrava, claro) e depois convidou-os para tomarem um chá na sua casa (a da fotografia), também no meio do nada e com redes a toda a volta para proteger os habitantes das feras. Quando Sepúlveda lhe perguntou por que diabo se instalara ali uma senhora francesa, ela respondeu que, em tempos, tinha visto um filme chamado O Velho Que Lia Romances de Amor e se tinha apaixonado pelo sítio, onde comprara um terreno e mandara construir aquela casa; mas que o cinema era muito mentiroso, porque na verdade aquilo não tinha nada que ver com o idílio do filme... Sepúlveda contou-lhe então quem era.