O segundo romance de Kate Mosse que li começa num funeral. Na sequência de “Labirinto” , Sepulcro é uma história dividida em duas, onde passado e presente se entrecruzam. É a história da Herdade do Cade, e seus ocupantes, que reúne duas “heroínas”: a pequena Léonie Vernier, uma moça voluntariosa de 17 anos que foi à Herdade visitar a tia no outono de 1891, e Meredith Martin, uma escritora americana apaixonada por Debussy numa viagem de pesquisa.

A ligação entre as histórias é um baralho, o Tarot Vernier, cujos arcanos maiores foram confeccionados usando personagens do século XIX, e uma partitura intitulada Sepulchre 1891.

O Sepulcro é o segundo livro da trilogia da autora, inspirada na região do Languedoc, mas nada impede que ele seja lido de forma independente. As histórias envolvem o leitor, que se vê torcendo pela sorte das personagens, juntando as pistas que unem uma história à outra. As ligações com o romance anterior são feitas através de alguns personagens, sutilmente colocados aqui e ali, praticamente irreconhecíveis à primeira vista, mas que dão um gostinho especial para quem já leu Labirinto.

Embora o leitor tenha que se adaptar às constantes mudanças de era – e acredite, uma vez dentro da história, como eu costumo ficar, nem sempre é fácil sair de 2007 e voltar a 1891 – e ao excesso de termos em Occitano e francês, o romance tem o poder de te prender às páginas, e realmente se envolver na história, no mistério, na leve mística que é bem característica da escritora. Eu cheguei ao ponto de discutir com alguns personagens (não, eu não sou louca…acho). A experiência de leitura é amplificada pelo baralho e a música especialmente criados para o romance, e as belas descrições das paisagens do sul da França.

Me descobri, em resumo, novamente apaixonada pelo estilo de escrita de Kate Mosse, uma mistura sutil de romance histórico e realismo fantástico, com personagens bem construídos num pano de fundo fascinante. Convido o leitor a conhecer Léonie, Anatole, Isolde, Victor, Marguerite, Debussy, Meredith, Hal, Julian e Baillard, entre tantos outros…vale a pena.

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Uma menina com histórias pra contar...

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