Reclama o Sol as porcelanas brancas,
estames neves despertando as trancas,
e chaves astros transtornando frios...
Alma carmim entre perfumes pardos,
adagas mortas no sangrar dos nardos
correndo frouxos pelos tensos rios.

Espinho frígido ao rasgar vermelho,
solos finais num incensório espelho,
apoteose entontecendo a pétala.
Pólen da aurora – verdeais louvores...
Carne das sedas – sinistradas flores...
Sopro supremo possuindo a sépala...

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Quadro: Natureza Morta (1911)
Óleo sobre tela; 54.1 x 65.2 cm
Autor: Georges Braque