Fotografia da minha autoria

Tema: Escrever uma carta anónima a um estranho 

a detalhar as coisas que aprendeste sobre a vida

Do lado de dentro da janela, 2020

Querido estranho, gostava de te escrever sobre alguns pensamentos que pairam no meu peito inquieto e sempre desejoso de encontrar o Norte.

Estou um pouco enferrujada, porque não me recordo da última vez que me sentei a redigir uma carta. E a verdade é que é um pouco ingrato não saber a quem a endereçar, mas, se calhar, pode resultar algo de extraordinário a partir desta troca anónima. Para ambos, porque dissocio-me dos poucos conhecimentos que tenho como certos, permitindo que se tornem viajantes, neste mundo imenso, guiando quem necessitar de um pouco mais de alento. Peguei, então, na caneta com o propósito de detalhar as coisas que aprendi sobre a vida, porém, não estou segura de ser capaz de cumprir esta missão. Porque há sempre uma nova camada de imprevisibilidade, dependente de circunstâncias e contextos.

Posso, isso sim, mencionar algumas aprendizagens que têm revolucionado a minha jornada, proporcionando-me uma espécie de salvação, sobretudo, quando a minha mente divaga para compartimentos muito mais sombrios:

1. Há sempre alguém a dar-nos a mão;

2. Nem todas as relações duram uma vida inteira;

    2.1. Mas não deixam de ser especiais por isso;

3. Definir limites é imprescindível;

4. A comunicação é a base de tudo;

5. É bom sentir saudades, mesmo que nos pesem;

6. Nada acontece por acaso;

7. O amor próprio trabalha-se todos os dias;

8. É muito mais bonito quando construímos pontes e não muros;

9. Aprende a dizer não;

    9.1. E sem sentir culpas;

10. Sê coerente, sem exigir o que não és capaz de dar;

11. Tudo passa - no bem e no mal;

12. Cuida da tua saúde: física, emocional, mental.

Reconheço que ainda sei muito pouco sobre a vida, mas tenho tentado fortalecer cada ensinamento que me pareça útil para o futuro. Portanto, no meio de tanta divagação, o que quero, de facto, ressalvar é que nada é garantido, que o destino pode virar-nos do avesso e que, por isso mesmo, devemos apenas ser: presentes, autênticos, empáticos. E essa talvez seja a nossa maior aprendizagem.

Despeço-me sem te dizer quem sou, porque a mensagem, neste caso, será sempre mais valiosa que o remetente. Aproveita a vida. Até breve!

 «A vida é meia hora»